Terça-feira, 18 de Dezembro de 2012

iansã e eu


Santos, deuses, ícones das mais variadas religiões são imagens que me encantam, mesmo que eu não tenha nenhuma religião em particular. Então, muitas das minhas ilustrações têm alguma inspiração nos códigos visuais dessas imagens. Ontem de madrugada usei Iansã como inspiração para uma nova ilustra. Iansã é uma das figuras femininas da Umbanda que eu conhecia não sei como, mas que sempre achei linda. Seu nome é uma referência ao entardecer, mas este orixá é ligado ao espírito dos mortos. As cores de Iansã variam entre o rosa, o laranja e o vermelho e por isso são as cores predominantes na ilustra que fiz ontem de madrugada.

Ao pesquisar um pouco mais sobre este orixá, acabei encontrando várias características que combinam com muitos aspectos da minha personalidade. E comprovei, mais uma vez, que as coisas que nos atraem/encantam, falam tanto sobre nós, mesmo quando a gente não tem plena consciência do significado delas, que chega a ser assustador.

"Nas cerimônias da Umbanda e do Candomblé, Iansã, ela surge como autêntica guerreira, brandindo sua espada, e ao mesmo tempo feliz. Ela sabe amar, e gosta de mostrar seu amor e sua alegria contagiantes da mesma forma desmedida com que exterioriza sua cólera. A figura de Iansã sempre guarda boa distância das outras personagens femininas centrais do panteão mitológico africano, se aproxima mais dos terrenos consagrados tradicionalmente ao homem, pois está presente tanto nos campos de batalha, onde se resolvem as grandes lutas, como nos caminhos cheios de risco e de aventura - enfim, está sempre longe do lar; Iansã não gosta dos afazeres domésticos.
 
É extremamente sensual, apaixona-se com freqüência e a multiplicidade de parceiros é uma constante na sua ação, raramente ao mesmo tempo, já que Iansã costuma ser íntegra em suas paixões; assim nada nela é medíocre, regular, discreto, suas zangas são terríveis, seus arrependimentos dramáticos, seus triunfos são decisivos em qualquer tema, e não quer saber de mais nada, não sendo dada a picuinhas, pequenas traições. É o Orixá do arrebatamento, da paixão. 

Deusa da espada do fogo, dona da paixão, da provocação e do ciúme. Paixão violenta, que corrói, que cria sentimentos de loucura, que cria o desejo de possuir, o desejo sexual. É a volúpia, o clímax. Ela é o desejo incontido, o sentimento mais forte que a razão. A frase estou apaixonado, tem a presença e a regência de Iansã, que é o orixá que faz nossos corações baterem com mais força e cria em nossas mentes os sentimentos mais profundos, abusados, ousados e desesperados. É o ciúme doentio, a inveja suave, o fascínio enlouquecido. É a paixão propriamente dita. É a falta de medo das conseqüências de um ato impensado no campo amoroso. Iansã rege o amor forte, violento. "

Beijos

Quinta-feira, 13 de Dezembro de 2012

o vazio branco

 
Não sei se com vocês acontece o mesmo, mas eu sou de excessos. Tem momentos que eu ilustro loucamente e não passo um dia sem criar algum desenho. Tem momentos que eu escrevo loucamente e transformo a vida em palavra com muito mais facilidade. Esses momentos de produção me deixam ansiosa, louca, extasiada, viciada em produzir mais e mais. Aí vem uma espécie de esgotamento criativo, uma angústia danada e, do nada, eu paro de fazer tudo. Enjôo dos pincéis, perco o verbo e apenas me dedico a absorver coisas novas.
Estou nesse momento. Nessa fase contemplativa. Acho que a visita da minha madrinha, que me encheu de livros de pintores e artistas, contribuiu para eu querer olhar mais e fazer menos. Estou aumentando minha "biblioteca" de artes em casa e no momento estas são minhas duas paixões: a francesa (radicada brasileira) Madeleine Colaço (Madeleine é o nome da minha avó materna! muito amorrrr) e o austríaco Gustav Klimt. Ok, Klimt é super conhecido, um clássico, mas ter um livro com as obras dele, para olhar à vontade todos os detalhezinhos, é incrível. Para quem gosta de estamparia, é um prato cheio de inspiração. A Madeleine Colaço eu não conhecia, mas fiquei abismada com o trabalho de tapeçaria dela. Sim, tapeçaria, que mais parece uma pintura tropical.
Quando vejo o nível destes artistas, invejo profundamente a sensibilidade e a paciência de desenvolver um trabalho desses. Eu sou ansiosa demais (a ponto de pensar que preciso mesmo de remédios) e me frustro com a minha impaciência diante de um quadro por pintar. Minha madrinha diz, com a voz calma e serena que ela tem: "Mas tens que ter paciência, Carolina." E eu penso: como é difícil preencher um vazio branco.


Livros comprados num sebo aqui do Leblon. :)

Quarta-feira, 28 de Novembro de 2012

desenhando com o lado direito do cérebro

 Muitas pessoas me perguntam se eu já fiz curso de desenho. Nunca fiz. Também me pedem dicas de livros que ajudem a pessoa a aprender a desenhar e eu nunca soube exatamente o que indicar. Mas minha madrinha Brigitte, que é artista plástica, veio me visitar no Rio e me deu uma dica muito valiosa: o livro "Desenhando com o lado direito do Cérebro" de Betty Edwards (encontrei na Saraiva por R$ 58). A autora parte do pressuposto que desenhar é como escrever. Qualquer um pode aprender a desenhar. Não é um talento nato, mas um aprendizado. A diferença é que na escrita aprendemos símbolos e no desenho precisamos aprender a desenhar o que observamos.

Resumindo a ideia do livro, os dois lados do nosso cérebro funcionam de maneiras independentes (apesar de complementares). Enquanto o lado esquerdo é analítico, matemático e lógico, o lado direito é intuitivo. E é com o lado direito do cérebro que o livro nos ensina a desenhar. Várias técnicas e dicas são dadas de modo a nos mostrar que desenhar com o lado direito do cérebro é deixar que nossas mãos coloquem no papel aquilo que nós vemos e não aquilo que interpretamos. É olhar para uma imagem como um conjunto de traços, espaços, distâncias e sombras e não na forma como um todo. 

Ontem fiz alguns exercícios do livro e consegui desenhar coisas que jamais achei possível fazer. A primeira foi esse cavaleiro (uma imagem do próprio livro) em que a técnica usada foi a de copiar o desenho de cabeça para baixo. De cabeça para baixo nosso cérebro é obrigado a olhar para a imagem como linhas independentes e assim desenhamos apenas o que vemos. O segundo desenho foi a minha própria mão bidimensional, numa posição completamente esquisita. Jamais conseguiria desenhá-la sem um truque impensável: fechar um dos olhos. É que os dois olhos abertos nos dão a tridimensionalidade da imagem e, por isso, definir os traços do objeto fica muito mais difícil. 


O livro tem outros vários exercícios e eu já tratei de comprar a edição em português para devorar essa leitura. Entender como o nosso cérebro funciona já é um passo para compreender como aprendemos as coisas, né? :)

Quarta-feira, 21 de Novembro de 2012

Las Dos Fridas / Colagem e Ilustração


Ontem resolvi fazer uma colagem. Uma reinterpretação da obra "Las Dos Fridas", de Frida Kahlo, que é a minha paixão. Usei recortes de obras e fotografias da pintora, de ilustrações minhas e cartões postais e panfletos que eu costumo colecionar. Um trabalho que parece um exercício de quebra-cabeças, mas o restultado é bem legal. Terapêutico quase. :)

Colagem sobre canson.


Quinta-feira, 4 de Outubro de 2012

autoretrato

rosto real versus rosto imaginário

Nunca fiz curso de pintura. Nem de desenho, nem de nada relacionado a artes, mas tive uma "mentora" artística, digamos assim. A melhor amiga da minha mãe (e a madrinha que eu escolhi pra vida) é uma artista plástica alemã, que sempre me deu dicas muito valiosas. Quando eu ia na casa dela passar minhas férias de verão, era comum irmos para o seu ateliê pintar algumas telas, ou ela me dar alguma dica útil de desenho. 

Vivo buscando melhorar a minha capacidade de desenhar pessoas reais, em vez de rostos criados da minha imaginação. É uma tarefa muito difícil captar não só os traços das pessoas, como o seu olhar, sua expressão facial, seus contornos e sombras. Então minha madrinha, Brigitte, me deu mais uma dica: "Carolina, comece por fazer autoretratos. Treine seu olhar com seu próprio rosto." E foi isso que eu fiz.

A aquarela ainda não está acabada, mas me surpreendi por ter me reconhecido no papel. É um exercício desgastante esse de "captar essências", mas acho que, pra ter sido a primeira vez que fiz um desenho meu, o resultado foi positivo. :) Quando a obra estiver completa, eu posto aqui.

Beijos

Sexta-feira, 21 de Setembro de 2012

eu e o jardim


A ilustra não é um autoretrato, claro. :)

Sou toda e sou inteira
força bruta e natureza
coração à flor da pele
pétala de fina beleza
pousada em caules firmes
que pendem sobre mim
de qualquer maneira
me cobrem o rosto
que observa, sem reserva
a imensidão desse jardim.

Aquarela + nakin sobre papel canson.

Terça-feira, 11 de Setembro de 2012

brisa dalila

Foto: Milena Palladino

Esta é Brisa. Uma amiga baiana que tem esse olhar intenso aí que vocês estão vendo. Brisa me encomendou uma ilustração sua. Eu juro que sempre penso duas vezes antes de aceitar ilustrar retratos por que pra mim não é fácil desenhar sem conhecer a pessoa. Desenho sempre quem eu conheço a fundo ou pessoas que me inspiram (vide Frida Kahlo e Tilda Swinton)

Mas Brisa, além de ser amiga, é um fenômeno da natureza. Vivo dizendo isso a ela. É dessas pessoas magnéticas e encantadoras que a personalidade transpira por todos os poros e por isso fica muito mais fácil imprimir no papel não a figura fielmente reproduzida dela, mas o que vem de dentro desse olhar.


De brisa, Brisa tem pouca coisa. É mais um furacão 
indomável que não passa despercebida nunca.
 
Aquarela + nankin + lápis + ponta porosa, tamanho A2.

Sábado, 8 de Setembro de 2012

coffee heart


Ilustração com cheirinho de café. Hoje de manhã sobrou um resto de café no fundo da minha xícara e eu pensei: por que não? Se mancha a roupa, então café é pigmento e se é pigmento é tinta. E por isso experimentei fazer minha primeira ilustração pintada com café. Café solúvel, desses da Nescafé mesmo. O bom do café solúvel é que você pode misturar a quantidade de água que você quiser para fazer o "pigmento" ficar mais suave ou mais intenso. Tipo café aguado e café forte, café coado, café expresso. 

Deu foi vontade de tomar um cafézinho com bolo de milho feito por vovó. Dessas coisas, cheiros e momentos que a gente guarda pra sempre na lembrança. Ah, o desenho apropriado? Um coração, claro.

Beijos!

Terça-feira, 21 de Agosto de 2012

marina morena


Mais uma ilustra! Desta vez fiz de presente para a minha tia, que tem uma loja online onde ela vende roupas lindas. :) A ilustra foi feita em nankin, aquarela, lápis 7B e editada no photoshop. :)


Quinta-feira, 9 de Agosto de 2012

música da vez


topo do blog aplicado. :)

Todo mundo tem músicas que marcaram fases e situações diferentes na vida né? Acho que é universal essa importância que as músicas têm pras pessoas. Músicas que lembram um ex, ou uma viagem com as amigas...não importa. 

E aí que um amigo muito querido meu resolveu criar um blog, um projeto pessoal, que narra a história dessas músicas que foram importantes pra ele ou que fazem lembrar algum momento especial. Achei a ideia muito massa e, de cara, consegui lembrar de umas 10 músicas diferentes que me marcaram. Então ele me chamou para criar a ilustra do seu blog e, na mesma hora, eu coloquei no papel o conceito que eu achava que ia traduzir direitinho essa história toda. :)

O nome do blog é o Música da Vez (acabouuuu de nascer!) :P

Aquarela + nankin + photoshop